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O figurino de Schlemmer I

Um marco na história do figurino foi o caso do Ballet Triadic de Oskar Schlemmer em 1922. Para Schlemmer o trabalho de criação da arte em cena era uma questão de equilíbrio matemático. Nesse ballet, o figurino colocava limitações aos dançarinos, ditando os movimentos possíveis ao corpo. Seu balé foi uma inovação na forma de se pensar figurino.

BALLET TRIADIC

ballet triadic

FONTE: http://continuo.wordpress.com/2011/04/28/juliet-koss-modernism-after-wagner-book-review/ 

Para Boccara o figurino de Schlemmer é mais do que uma sensação imagética é um:

“um rígido segundo corpo que sintetiza uma elaboração conceitual sobre o movimento no espaço e no tempo através de uma coreografia deduzida a partir das possibilidades que o figurino induz. Schlemmer dá ao figurino a potencialidade de determinar a composição musical, e somente a partir daí temos a coreografia, por último, a dança.” (BOCCARA in VIANA E MUNIZ, 2012, p.20).

O surgimento do figurino

 

Vou começar este post com uma breve apresentação, pois passarei a fazer parte da equipe de autores do blog esse ano. Me chamo Beatriz e sou designer de moda, meu maior interesse dentro dessa área é o figurino, a possibilidade de se criar um personagem através de signos. Afinal, no ato do vestir-se não criamos sempre um personagem?

É muito complicado falar do surgimento de algo. Pois quando nos damos conta ese algo já está entre nós, existindo. E como são estudos históricos, nós usamos a ideia que temos hoje de figurino para encaixar nos hábitos de outras civilizações e dizer que eles usavam algo que nós podemos denominar figurino. Afora essa dificuldades vamos começar a analisar históricamente os primeiros sinais que temos dele, ou melhor, nos primeiros sinais aos quais nós atribuímos o valor de figurino.

Em 1891 foram encontradas na Austrália, imagens rupestres em grutas, que eram santuários de civilizações do período paleolítico, entre 17 e 50 mil anos atrás. Francisca Mendes (2012) comenta em seu artigo “ A DANÇA DO CORPO VESTIDO: UMA FORMA DE EXPRESSÃO E COMUNICAÇÃO”sobre quando poderia ter sido o surgimento do figurino.

imagens rupestres

IMAGENS RUPESTRES – FONTE: MENDES in VIANA e MUNIZ, LIVRO: “Traje de cena”  2012, P.40

Estas imagens são o registro humano mais antigo do uso de figurino. Os desenhos representam figuras humanas em movimento vestindo peles e outros adereços. A cerimônia representada parece ser a prática de uma dança religiosa. Mendes acredita que “os personagens das peças, desde os primórdios, precisavam ser representados e caracterizados por trajes” (MENDES, in VIANA e MUNIZ, 2002, p.40). E complementa:

“O homem sempre procurou adaptar recursos disponíveis em cada região e em cada época as suas necessidades de expressão. Percebe-se uma preocupação marcante com a utilização de objetos, formas, cores e texturas para representar ou personificar um determinado personagem durante a apresentação da dança envolvendo música, pantomima e acrobacias, conforme descrição de diversos autores entre eles: Paul Boucier, Luis Ellmerich, Miriam Garcia Mendes, Ferdinando Reyna, Edgard de Brito Chaves Junior, Luiza Lagoas, Dalal Achcar e Phillippe Beaussant.” (MENDES, 2012, p. 41)

O figurino também pode ser chamado de traje de cena. O termo “traje” tem sua origem etimológica na palavra trager, portuguesa que significa trazer para si. Esse algo que é trazido a si pode ser compreendido como uma identidade uma significação. O homem pós-moderno acredita que através das roupas é possível passar uma identidade para a sociedade. Vivemos a década das tribos urbanas misturadas em um plano geográfico e separadas no plano dos signos através de vestimentas e hábitos característicos.

Paradoxalmente, é através da cópia de símbolos, que o ser humano busca se diferenciar concretizando sua autoimagem representacional. Conforme Hoffman, “no caso da subjetividade na sociedade de consumidores, é a vez de comprar e vender símbolos empregados na construção da identidade”. São infinitas possibilidades de vir a ser que abrangem tanto o traje de cena como o traje em geral.  Aliás, é possível dizer quando o traje é de cena e quando não é? Quando é figurino e quando nao é?

Beatriz Maciel